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Olá caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

No ano em que se comemoram 40 anos do 25 de Abril, nada melhor do que aqui publicar alguns dos versos que António Aleixo, louletano por adopção várias vezes referenciado neste blog, dedicou ao Estado novo, ao salazarismo, à censura e à miséria em que o nosso país esteve mergulhado durante quatro décadas. Como é evidente, estes versos só foram conhecidos muitos anos depois, nomeadamente em 1978, aquando da edição da obra “Inéditos”, organizada por Ezequiel Ferreira, compilador e divulgador da obra aleixiana. Eis então algumas das quadras que melhor revelam o espírito critico e sarcástico do poeta popular face ao regime que o oprimia… a si e aos outros:

 

Com uma gravata vermelha?!

Tem cuidado, não se esqueça:

- Que Salazar aconselha

Muitas cores, menos essa.

**

As autoridades são

Criadas pelo próprio Estado,

Para dar a educação

A quem é mal educado…

**

Prometem ao Zé Povinho

Liberdade, Lar e Pão…

Como se o mundo inteirinho

Não soubesse o que eles são!

**

 

Aqui fica um cheirinho da forma como Aleixo encarava a ditadura em Portugal. De resto, àqueles que não se calam, como ele, se deve a restituição da liberdade no nosso país.

 

Nota:

1. Informação retirada da obra “Ensaios Aleixianos” de João Romero Chagas Aleixo, editada pelo Arquivo Municipal de Loulé em 2011. 

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