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Olá caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

Numa época em que o calor aperta lembramo-nos da praia, dos banhos de água fresca, dos passeios à beira-mar, etc. Os mais velhos recordam-se também da Fonte Santa, local simbólico da Freguesia de Quarteira, onde muitos acorriam buscando a cura para os seus males naquelas águas tidas como miraculosas, lavar a roupa ou simplesmente se banhar. Ataíde Oliveira, na “Monografia do Concelho de Loulé” (1905), escreveu: “Ao Sul da freguezia de S. Clemente de Loulé existe uma copiosa fonte, chamada a Fonte Santa, cujas águas são de maravilhosos effeitos para doenças cutâneas, para dôres e mais doenças rheumaticas.”

Segundo os indícios arqueológicos, nomeadamente evidências da existência de canalizações em chumbo que se direccionavam para a Villa de Loulé Velho, este local já seria utilizado para fins termais por Romanos e Cartagineses.

Ao longo dos tempos, a qualidade das águas da Fonte Santa (cloretadas sódicas e bicarbonetadas cálcias) foi chamando a atenção dos investidores e, em 1933, o Estado reservou para si a concessão das mesmas. Em 1939, a exploração das referidas águas foi entregue à Sociedade da Fonte Santa e Benémola.

Na década de 50, do século XX, nas vésperas do dia de São Tiago (25 de Julho) as pessoas (de todo o Algarve e até do Alentejo), a pé ou utilizando carroças e camiões, dirigiam-se para Fonte Santa. Num artigo do jornal “A Voz de Loulé” datado de 1 de Agosto de 1955 pode ler-se: “[…] ali [junto da Fonte Santa] se ajuntou uma mole de gente que construiu barracas, armou toldos, fez acampamentos, dando ao local a autêntica categoria de feira. Não faltaram barracas de comes e bebes, quinquilharias, recinto para baile e até… um pretenso café. […] O banho é realizado num pego, onde se juntam chagados, anquilosados, reumáticos, indivíduos portadores de dermatoses, de inchaços, ou até simples defeitos físicos […]”.

Contudo, nas décadas que se seguiram, a Fonte Santa iria padecer de um certo esquecimento. Nestas circunstâncias, muitas lutaram para inverter essa situação enaltecendo as qualidades das suas águas, bem como o potencial económico das mesmas. Neste sentido, em 1967, o Dr. Herculano de Carvalho, à época Director do Instituto de Hidrologia de Lisboa, ao analisar as águas da Fonte Santa, concluiu que “elas recordam algumas águas da Estremadura, de cronograma bastante aproximado, como Cadafais, Pedrógão, Verride, Convento da Visitação, S. Marçal, Vimeiro e Zambujal”, sendo eficazes no combate de doenças tais como “reumatismo, doenças de pele, afecções digestivas […]”.

Apesar dos sucessivos apelos, como o transcrito acima, não existiram iniciativas no sentido de explorar as valências da Fonte Santa.

Em 1969 o local foi “restaurado” pela Junta de Freguesia de Quarteira. Nos dias de hoje, a Fonte Santa de outrora deu lugar a uma zona turística integrada em empreendimentos urbanísticos.

 

Nota:

 

1. Para escrever este texto baseei-me nas seguintes fontes:

SANTOS, João Carlos, Quarteira – Um pequeno centro cosmopolita (século XIX e XX). Lisboa, Universus, 2013.

OLIVEIRA, Francisco X. D’Athaíde, Monografia do Concelho de Loulé. Porto, Typographia Universal, 1905.

E também no Jornal A Voz de Loulé

 

1 Comment

  • Hosting diz:

    Estas guas perderam a sua frequ ncia h cerca de 15 anos, mas s o ainda frequentadas por raros aquistas que contactam o Senhor V tor Rodrigues, propriet rio do local e que conserva utiliz vel um dos tanques de banho e algumas das casas para hospedagem.

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