senhora da piedade

Olá caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

No próximo Domingo, terá lugar em Loulé a Festa Pequena em honra da Nossa Senhora da Piedade, a Mãe Soberana dos louletanos. Por diversas vezes, já aqui escrevi sobre esta festividade, no entanto, dada a importância que a mesma tem para os louletanos, em particular, e para os forasteiros, em geral, este é um assunto que dificilmente se esgota.

Sendo vista como a “Mãe” das gentes louletanas, a Nossa Senhora da Piedade tem sido, por diversas vezes, homenageada, sobretudo por poetas e trovadores.

Como também já aqui escrevi, sou apreciadora de deambular pelo Cemitério de Loulé, encarando este lugar como a última morada daqueles que construíram, cada um à sua maneira, a história da nossa terra. Em várias dessas deambulações, reparei numa sepultura, em bastante mau estado e em completo abandono, pertencente a Acácio Barbio.

 

Sepultura de Acácio Barbio (1)

 

Reparei nesta campa por nela estar escrito que quem lá repousava era, ou foi, poeta e também porque contêm a seguinte inscrição: “Se a saudade vier eu já não estou / Já ando pela noite alma perdida / E alma perdida nada sente”. Este epitáfio, em constante desgaste, é, na minha opinião, simplesmente fantástico.

 

Sepultura de Acácio Barbio (4)

 

Por isso, encontrar há algum tempo atrás, um poema da autoria de Acácio Barbio foi para mim uma verdadeira euforia. Pois este poema é a prova que Acácio Barbio era realmente poeta, deixou obra e que essa obra tinha o seu valor. Acima de tudo, sinto que ao escrever este post estou a homenagear alguém praticamente esquecido, por uns, e completamente desconhecido, para outros. E não acreditando em coincidências, reparei que escolhi o dia de ontem para ir fotografar a sepultura de Acácio Barbio e que precisamente ontem também decorriam 76 anos sobre o seu nascimento (24/03/1937). Enfim, acaso ou não, toda esta história parece um puzzle que fui montando.

Quanto ao poema de Acácio Barbio, é inédito, tendo sido publicado apenas em “folhas soltas” pela tipografia louletana, e data de 1968. Como o título deste post indica é um poema dedicado à Nossa Senhora da Piedade e tem a sua importância em termos históricos referindo o nome daqueles que eram os Homens do Andor na época em que o poema foi escrito.

Posto isto, não tenho mais nada a acrescentar, e passo a transcrever os versos deste meu amigo que nunca conheci:

 

Senhora da Piedade

 

 

MOTE

 

 

Em oito ombros segura

Em volta espalhando a fé,

Vai para a ermida a Mãi Pura

Soberana de Loulé.

 

 

I

 

 

Lá vai a senhora erguida

E no colo leva Jesus

Espalhando em Loulé a luz

A terra por Ela querida;

Mas é tão alta a subida

Que torna grande a lonjura

Mas lá no Céu com ternura

Diz a Jesus que é seu filho

Olha como eu vou no trilho

Em oito ombros segura.

 

 

II

 

 

Oito nobres corações

Que ao meu lar me vão levando

Vejo o Gregório chorando

E o António Simões;

E contra as opiniões

Que surgem sempre em Loulé

Lá vou sem tremer até

Descansada por sinal

No ombro do Olival

Em volta espalhando a fé.

 

 

III

 

 

No meu sofrer aflito

No meu caminhar humilde

Abençoo Leonildo

E também o José de Brito;

No Céu o meu lar bendito

Eu olho Loulé com ternura

Vejo minha imagem segura

Nos ombros de oito valentes

E até dizem os descrentes

Vai para a ermida a Mãi Pura.

 

 

IV

 

 

Dou o meu Santo feitiço

A quem me a levar se arrisca

Como faz o Mário Faísca

E o José Guerreiro Caliço;

Francisco Eusébio por isso

Lá vai cheio de força e fé

Firmes sem arredar pé

Oito homens de verdade

Levando a Mãi Piedade

Soberana de Loulé

 

 

Com a tocha lado a lado

Vão dói homens cheios de fé,

São dois filhos de Loulé

Faustino e o Chico Prado.

 

 

Vão ao lado com ternura

Em nobre missão humana,

Iluminando a Mãi Pura

A nossa Mãi Soberana.

 

 

Acácio Barbio

 

 

(Tipografia Louletana, 1968)

 

 

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *