josé baptista

Olá caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

Soube há pouco do falecimento do Sr. Batista. Mais um ilustre louletano que nos deixou. Artista, homem de educação e amabilidade invulgares, detentor de uma cultura infindável e de um enorme talento. Em jeito de homenagem deixo aqui uma breve biografia do Sr. Batista retirada do blog http://kuentro.blogspot.pt

“João José André Batista (JOBAT) nasceu em Loulé, a 18 de Dezembro de 1935, e frequentou o curso de Desenhador-Litógrafo na Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, a cargo dos mestres Mendes e Rodrigues Alves.

Com 18 anos, entrou para a Agência Portuguesa de Revistas (APR), como paginador e retocador de revistas de quadradinhos, desenhando durante duas décadas grande quantidade de “bonecos” para as várias publicações da editora.

Fez poucas histórias aos quadradinhos, começando com uma adaptação de “Ulisses”, para a Colecção Condor, em 1956. Na colecção Audácia realizou “A Conquista de Santarém” e para o Mundo de Aventuras (2ª série) nºs. 437 e 452 produziu “O Voto de Afonso Domingues” e “Luís Vilar”, em 1958, assim como outro episódio desta última série detectivesca ainda nesse ano no Condor Popular.

Durante a década seguinte dedicar-se-ia à ilustração de capas e de livros, à legendagem e à remontagem de material estrangeiro para publicação nas revistas da APR. Executou diversas colecções de cromos, nomeadamente uma adaptação de A Morgadinha dos Canaviais.

Trabalhando sempre para a APR, começou a colaborar com Roussado Pinto desde o início do Jornal do Cuto, em 1971, ilustrando poemas de Raul Correia. No nº 49 dessa revista publicou a curta história “Trinca-Fortes”, assinando “Jobat”, experiência que o encorajou a realizar uma maior adaptação de “A Vida Apaixonada e Apaixonante de Camões”, com argumento de Michel Gérac, em quarenta pranchas publicadas no Diário Popular, entre Setembro e Novembro de 1972, e posteriormente em álbum em língua francesa(!), publicado pela SEIT. Nesse ano, contactou a IPC Magazines (Fleetway), desenhando para a editora britânica vários comics com temas inspirados na Segunda Guerra Mundial, inéditos em Portugal.

Em 1973, passou a chefiar a redacção do Jornal do Cuto, coordenando também outras edições da Portugal Press, até à primeira suspensão da revista, em Abril de 1974.

Em Abril e Maio de 1975 realizou no jornal Diário Popular a série “25 de Abril: Requiem para uma Ditadura”, que ficaria inacabada apesar de tentativas para a completar para o semanário Uniluta.

Em 1976, regressou a Loulé, dedicando-se agora à cerâmica decorativa e outras actividades ligadas às artes gráficas, à decoração para os desfiles de Carnaval, ao ensino de Educação Visual nas escolas, sendo responsável gráfico pela revista anual Al’Ulyã e pela Agenda Cultural daquele município.

A partir de Junho de 2003 coordenou a rubrica de banda desenhada “9ª. Arte”, n’O Louletano (onde começou por publicar bandas desenhadas suas, em pranchas semanais – Camões e Ulisses). 

Foi homenageado pelo conjunto da sua obra no Moura BD 2005, tendo-lhe sido outorgado o Troféu “Balanito de Honra”

Por esta sintética biografia, que a seu tempo melhorarei, podemos ver que o Sr. Batista dedicou a sua vida à arte e ao conhecimento. Para quem teve o privilégio de o conhecer pessoalmente, como eu, ficará sempre na memória como um grande senhor, de maneiras sóbrias, ar elegante, infinita sabedoria e uma visão muito espiritual da vida e do mundo.  

Que descanse em paz. Até sempre Sr. Batista. 

 

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