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Bom dia caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

Em Loulé, o primeiro Carnaval dito “civilizado” teve lugar em 1906. O objectivo, como se pode ler na “Folha de Loulé” de 4 de Fevereiro de 1906, era “civilizar o Carnaval e imprimir-se-lhe uma feição diversa do que até aqui se tem feito, e o povo louletano substitui as anteriores exibições que interesse algum despertavam por outras de carácter limpo, atraente, asseado e louvável. Trocou os verdetes, os pós negros, as gemas e outras tantas sujidades que estragavam o vestuário, pelo confetti multicolor, pela serpentina e pelos bombons, dando-lhes assim um agradável passatempo nos três dias, que eram consumidos em loucuras e irreverentes divertimentos que quase sempre acarretavam consequências desagradáveis”. No Domingo Gordo de Carnaval teve lugar uma matinée no Teatro Louletano, onde estiveram representados os membros da comissão promotora: Ventura de Sousa Barbosa, José Joaquim Gonçalves, Artur Gomes Pablos e José Thomaz de Sousa Faísca. O programa incluiu a representação da comédia “O 39 da Oitava” e um espectáculo musical.

No dia seguinte, o cortejo de carros alegóricos teve inicio à 1 hora da tarde, na Rua da Praça, onde foram montados três coretos para se instalarem as bandas filarmónicas. Durante a tarde, desfilaram os carros de iniciativa particular. Por fim, após ser anunciada com foguetes, realizou-se a batalha das flores, que consistiu no lançamento de papelinhos, bombons, serpentinas, confettis e ramos de flores.

Entretanto, procedeu-se também a um peditório para o bodo dos pobres, cuja receita foi distribuída, na manhã do dia de Entrudo, no Terreiro Público.

Os festejos concluíram-se com um novo desfile de carros, pela Rua da Praça, semelhante ao do dia anterior.

Outro dos objectivos da comissão promotora foi o auxílio à Santa Casa da Misericórdia de Loulé, instituição carente de meios, e que nas realizações posteriores passou a contar com receitas provenientes do Carnaval.

Com o passar dos anos, sucederam-se altos e baixos, e na década de 30 o Carnaval de Loulé evidenciava já alguma decadência, sendo que alguns temiam mesmo o retorno das mais primitivas formas de Carnaval. Um estabilidade que se foi mantendo ao longo dos tempos e que exigiu uma constante vigilância e até o controlo policial para manter a ordem. Entretanto, e apesar de alguns anos de maior atribulação, o Carnaval de Loulé foi-se afirmando no cartaz turístico nacional e atrai a Loulé verdadeiras multidões todos os anos.

A Câmara Municipal passaria a organizar o Carnaval a partir de 1977.

 

 

Nota: 

1. Texto baseado no artigo intitulado “O Entrudo Violento e o Carnaval Civilizado: O paradigma do ‘Carnaval civilizado’ em Loulé” de autoria de Manuel Paquete publicado na revista “Portugal Nosso Mundo”, n.º 12 de Fevereiro de 2004.

 

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