Os pinta-santos algarvios

19 de Dezembro de 2012

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Olá caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

Não podemos falar do Presépio Tradicional Algarvio e do Natal no Algarve sem referir os pinta-santos.

Os pinta-santos ou faz-santos algarvios surgiram no século XIX. O seu objectivo era reproduzir as imagens feitas pelos imaginários, sobretudo, o Menino Jesus e o Jesus crucificado, no Algarve, chamado Pai do Céu. Até à primeira metade do século XX, os pinta-santos, artesãos populares, alimentaram, com as figuras que criavam, a piedade do povo.

Os pinta-santos exerciam a profissão de abegão ou carpinteiro; outros eram camponeses e marítimos. Durante o Inverno, dada a impossibilidade de ganhar a vida, ocupavam o tempo fazendo as tradicionais imagens do Menino Jesus, do Pai do Céu e do Santo António. Outros já não trabalhavam, devido à idade avançada, mas entretinham-se a fazer estas figuras para oferecer a familiares e amigos.

Tavira foi, outrora, um grande centro de pinta-santos, sendo que a maior parte destes artesão se concentravam na freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo. Alguns desses pinta-santos popularizaram-se como foi o caso de José Martins Murteira, Faustino José Bernardo e Ventura das Neves, no entanto, grande parte dos pinta-santos algarvios ficaram no anonimato.

As figuras construídas pelos pinta-santos têm todas elas uma ou outra particularidade que vai de encontro com o imaginário dos seus criadores, contudo quase todos colocam o Menino em cima de uma peanha formada por uma pequena escadaria ou trono. Observando as figuras podemos também constactar a pobreza de meios, sendo pelas tintas utilizadas ou pela sóbria decoração. Os pinta-santos trabalhavam para os devotos do povo, que tinham em suas casas figuras construídas por eles, enquanto que as famílias mais abastadas possuíam imagens vindas de fora.

Normalmente, o povo vestia o Menino Jesus feito pelos pinta-santos com muita simplicidade. Tratava-se de um vestido de paninho fino e fraco, de má qualidade, mal talhado, com pouca decoração e bastante curto. Devido à má qualidade do tecido, humidade e pó, na Serra e no Barrocal, fazia-se, de vez em quando, um vestido novo. Este vestido, ao contrário do que acontecia com as imagens das famílias mais ricas, não possuía rendas, nem galões, nem qualquer decoração. Um ou outro tem apenas um entremeio rendado, ou alguma pequena nervura. Por baixo, o Menino aparece vestido com uma camisinha de algodão ou uma anágua, para ajudar a armar a roda do vestido, sem qualquer decoração. Algumas famílias vestiam-lhe ainda umas culotes ou cueiros.

O Museu Etnográfico do Trajo Algarvio, de São Brás de Alportel, possui uma colecção de figuras feitas por Pinta-Santos. A visita poderá ser interessante para aqueles que quiserem conhecer melhor a obra legada por estes artesãos populares. 

Nota: Este texto tem por base a obra” Natal no Algarve: Raízes Medievais” da autoria do Padre José da Cunha Duarte.

 

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