O Corridinho Algarvio

23 de Março de 2012

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Boa tarde caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

O corridinho, que também se baila em algumas terras do Ribatejo e do Alentejo, é, sobretudo, uma dança algarvia: o Algarve é a sua verdadeira pátria.  Trata-se de uma dança antiga, porém, não muito arcaica: reflecte aspectos de danças citadinas adaptadas pelo povo, pois que é, no seu aspecto geral, uma dança que se baila ao ritmo da polca-galope. Ora, tanto a polca como o galope são danças estrangeiras citadinas do século passado.  Assim, nos primeiros anos do século XX nasce o célebre corridinho. Facto curioso e que muitos desconhecem é que este tipo de música teve origem numa dança de salão que surgiu nos meados do século passado, algures na Europa oriental, e foi trazida para o Algarve por um espanhol chamado Lorenzo Alvarez Garcia, que decidiu cortejar a jovem louletana Maria da Conceição, dedicando-lhe La Azucena – uma polca. O corridinho é, neste sentido, de inicio uma dança de cortejo.

Instrumento fundamental do corridinho é o acordeão, que chegou à região algarvia nos finais do século XIX. O novo instrumento popularizou-se rapidamente, enriquecendo os repertórios locais. As danças de salão então em voga – as polcas e as mazurcas – passam a entrar, interpretadas em acordeão, nos bailaricos do campo ao lado dos velhos sarilhos e bailes de roda. Os tocadores inventam-nas e reinventam-nas, acabando por nascer o corridinho. Baila-se o corridinho ao som do fole ou flaita, isto é, da concertina e consta de duas partes: o «corrido» propriamente dito e o «rodado», que é orientado em sentido inverso ao do corrido. Quando, porém, uma segunda parte da moda é mais mexida e o parceiro é de feição, abandonam-se os passos conhecidos e o par rodopia sempre no mesmo lugar, num passo especial a que se dá o nome de «escovinha».

O corridinho era bailado com os pares sempre agarrados, formando uma roda, as raparigas por dentro e os rapazes por fora. Ao girar da roda, os pares evoluem, portanto, de lado. A certa altura, «quando a música repica», «o bailho é rebatido», isto é, os pés batem no chão com mais vigor, parando a roda, para prosseguir logo de seguida. Mais adiante, os pares «valseiam», entenda-se bailam agarrados girando no mesmo lugar, após o que a roda de novo retoma a sua evolução, sempre para o lado direito. Com algumas variantes de pormenor, foi assim que captámos a coreografia do corridinho estremenho.

De seguida o “rei dos corridinhos do Algarve”: Alma Algarvia. Este é um corridinho da autoria de Mestre José Ferreiro e faz parte do reportório de quase todos os Ranchos Algarvios. No video que se segue “Alma Algarvia” bailada pelo Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão – Cortelha, Algarve.

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Nota:

1. Informação retirado do site www.folclore-online.com 

 

1 Comment

  • Livia Regolim diz:

    Ola
    Gostaria de saber, é claro que se for possível, sobre danças, comidas tipicas de festas joaninas, ou festas juninas.
    Obrigada desde já

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