As prendas de Natal de antigamente

20 de Dezembro de 2012

***

Olá caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

Hoje em dia a maioria das pessoas, infelizmente, encara o Natal como uma época essencialmente virada para o consumismo. A ideia original de Natal ligada à confraternização, à família e à solidariedade foi-se transformando numa simples troca de prendas (qual delas a melhor e a mais cara?), em lucro para quem vende e em gasto desmesurado para quem compra.

Enfim, não se pode travar a evolução dos tempos, nem mudar a sociedade. Mas, às vezes, sabe bem recuar um bocadinho e recordar a simplicidade de outrora. A ideia de trocar prendas já vem de à muitos séculos a esta parte, no entanto, o valor desta troca estava no acto e não naquilo que era trocado.

Recordemos então o que se oferecia,outrora, quando o Natal chegava ao Algarve:

Nas primeiras décadas do século XX, não se falava em prendas pelo Natal. O povo do Barrocal e da Serra desconhecia por completo esse costume. Só na década de quarenta começam a aparecer os sapatinhos na chaminé. Uma laranja, guloseimas (as famosas sombrinhas de chocolate), ou uma boneca de trapos com braços e pernas em cana, eram as prendas que se metiam no sapatinho das crianças. Só os filhos das famílias mais abastadas tinham acesso aos chamados brinquedos. As crianças iam buscar o sapato do pai, por ser o maior, e colocavam-no junto ao fogo da lareira. Outras penduravam na chaminé uma meia do pai, sendo que quando as crianças eram mal comportadas os pais colocavam dentro do sapato ou da meia um rebuçado amargo.

Nas zonas mais a litoral colocava-se no sapatinho das crianças uma laranja, castanhas, bolotas aveladas ou rebuçados. Quando se portavam mal enchia-se o sapato de cascas de berbigão.

Nos anos em que o inverno se mostrava mais severo alguns pais ofereciam aos filhos uns sapatos que tinham de durar até ao Natal seguinte. Outras crianças recebiam uma camisa que era para ser vestida apenas ao Domingo e deveria também durar um ano inteiro.

As prendas eram dadas ou no dia de Natal ou no dia de Reis. Não havia uniformidade,  mas o Menino Jesus era sempre o centro da festa, já que era Ele que oferecia os presentes às crianças. Nesta altura ainda não se falava de Pai Natal.

Nos finais do século XX, a ceia de Natal transformou-se num facto social e a ideia de um Natal cristão foi suplantada pelo consumismo desenfreado hoje instalado.

E assim é. Nos dias de hoje como pode uma criança encontrar alegria na simplicidade de uma laranja?

A marafada deseja a todos os visitantes deste blog um óptimo Natal, simples mas cheio de amor.

 

Nota:

1. Informação retirada da obra “Natal no Algarve: Raízes Medievais” do Padre José da Cunha Duarte.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *