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Olá caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

Chegamos ao mês de Junho e estão aí os Santos Populares, os manjericos e, claro, as sardinhas assadas na brasa. Embora não seja um prato tipicamente algarvio (tem a sua origem na região de Setúbal), as sardinhas assadas na brasa são uma das 7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal e um dos petiscos mais apreciados não só por nós portugueses, como também pelos estrangeiros que nos visitam. Por todos estes motivos decidi dedicar um post a esta temática, salientando que a sardinha pescada ao longo da costa algarvia é de excepcional qualidade.

Julgasse que a sardinha já constava da ementa dos romanos, aquando da sua presença na Península Ibérica, tendo-se tornando muito consumida durante o período medieval, período este em que a imposição do jejum da carne era comum.  Com o passar dos séculos, a sardinha foi-se assumindo como um produto popular dado o seu baixo custo. Nos dias de hoje, afastado o mito de que as sardinhas são prejudiciais para o fígado e intestinos, este peixe atinge, sobretudo nos meses de Verão, preços mais elevados que não são acessíveis ao bolso de todos. 

Para além de assada na brasa, a sardinha pode ser confeccionada de diversas formas: frita, grelhada, com molho de tomate ou albardada (panada com ovo), etc. Quando não consumida fresca, pode optar-se pelas conservas que mantêm todas as propriedades nutricionais deste peixe (rico em ómega 3 e portanto muito bom para a nossa saúde).

Normalmente, a sardinha assada na brasa come-se acompanhada de pimento assado ou salada de pimentos e de batatas cozidas. Contudo, a maioria opta por saboreá-la sobre uma grossa fatia de pão que embebe a gordura natural do peixe. Alguns consideram que esta “moda” de comer as sardinhas sobre o pão remonta ao século XVIII, altura em que o peixe era vendido por vendedores ambulantes por toda a Lisboa. Os clientes rodeavam os vendedores e, trazendo o seu próprio pão, ali faziam as refeições a bom preço. Uma outra teoria coloca este costume no século XVII, época em que as populações mais pobres esfregariam as sardinhas assadas no pão para lhe dar mais sabor, torna-lo mais comestível e assim matar a fome. 

Teorias à parte, a tradição manda que se comam sardinhas assadas na brasa por altura dos Santos Populares. Provavelmente, a ligação das sardinhas a estas festividades ocorreu de uma forma instintiva, isto é, no mês de Junho, mês dos Santos Populares, as sardinhas sabem melhor, estão mais gordas e mais apetecíveis. Como diz o ditado popular: “No S. João, a sardinha pinga no pão”.

Mas qual a melhor forma de assar sardinhas na brasa? 

Alguns dizem que assar sardinhas não possui qualquer ciência, no entanto, os verdadeiros peritos conhecem alguns truques que fazem toda a diferença quando se trata de confeccionar este acepipe. Assim, aqui ficam algumas dicas:

- A sardinha quer-se pequena e gordinha;

- Quando for adquirida deve apresentar as seguintes características: escama firme, guelra vermelha, pele lisa e olhos límpidos;

 – As sardinhas devem ser salgadas (com sal grosso) cerca de 20 minutos antes de irem para a grelha;

- O carvão para assar as sardinhas deve ser de boa qualidade para proporcionar boas brasas, ou seja, quentes no ponto, mas não demasiado para não queimar o peixe. O carvão deve queimar 30 minutos antes de se começar a assar o peixe. A grelha colocada sobre as brasas deve estar limpa de qualquer gordura e quer-se bem quente quando nela forem colocadas as sardinhas, evitando assim que as mesmas agarrem;

- A sardinha leva pouco tempo a assar, cerca de 5 minutos de cada lado, não sendo aconselhável que asse durante demasiado tempo pois isso irá secar o peixe.

E pronto aqui fica a homenagem deste blog marafado à sardinha assada na brasa.

Divirtam-se nos Santos Populares, comam muita sardinha, bebam uma boa pinga e comprem um manjerico. 

 

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