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Aproveitando o contexto pós-liberal, juridicamente propício ao aparecimento de coletividades que visavam o recreio e a convivialidade, o Ateneu Comercial e Industrial de Loulé surge em 1897. Na sua fundação estiveram envolvidos comerciantes e pequenos industriais de Loulé, rostos de uma burguesia económica e socialmente emergente, que se uniram naquilo a que começaram por chamar Recreio Comercial de Loulé. Assim, desde a sua origem, o Ateneu foi associado à elite louletana, encontrando-se entre os vinte e dois signatários dos Estatutos de 1928 notáveis como José Bernardo Lopes, Alberto Rodrigues Formosinho, José Cláudio da Silva Mendes, António Martins Sancho, José Maria Galo, Manuel Guerreiro Mealha, Mariano da Costa Ascensão, entre muitos outros. Em 1911, adotaria o nome atual, mais erudito e adaptado aos novos tempos políticos que se seguiram à Implantação da República.

Não existem fontes que nos permitam determinar o primeiro local a servir de sede para esta coletividade, no entanto, é possível apontar a década de 30 do século XX como data da sua instalação no Largo Gago Coutinho, onde ainda hoje está sediada. Segundo o atual presidente, Octávio Laginha Seruca, o Ateneu terá sido o primeiro ocupante deste espaço, um prédio de inspiração Art Déco construído entre 1920/30, onde é utilizada uma simbologia com ideias de progresso.

Segundo os referidos Estatutos, por diversas vezes revistos e alterados numa tentativa de democratização e de acompanhamento dos tempos e das tendências, o Ateneu “[…] tem por fim a instrução e recreio dos sócios e suas famílias, pela leitura, conferências, reuniões, jogos lícitos, desportos e outros meios semelhantes”. Neste sentido, a sua atividade tem sido marcada pela realização de bailes, sobretudo em épocas festivas como o Fim de Ano e o Carnaval; pela organização de conferências, com prestigiados oradores como o Prof. Joaquim Magalhães; pelo patrocínio de jogos florais, impulsionados por Cândido Guerreiro e Maurício Monteiro; e pela promoção de outros eventos de carácter cultural e artístico.

No presente, o Ateneu possui duas centenas de sócios, tendo passado pela sua direção figuras importantes como Manuel Mendes Gonçalves, Joaquim Pedro Madeira, Manuel Farrajota Martins, António de Brito Barracha, Maurício Serafim Monteiro (que dotou o Ateneu de uma biblioteca composta por cerca de trezentos exemplares, atualmente acessível aos sócios), Manuel de Sousa Pedro, Manuel Guerreiro Pereira, entre outros.

O Ateneu trata-se pois de um espaço com história e memória. Nesse sentido, foi agraciado em 2011 com a Medalha de Mérito Municipal (Grau Prata) e, em 2013, a Câmara Municipal deu início ao processo para a Classificação de Interesse Municipal do mesmo.

Nota:

1. Texto da minha autoria retirado da Revista Raízes n.º 3 que podem consultar online aqui:  http://bit.ly/2aT2KwR

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