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Olá caros visitantes do “Marafações de uma Louletana”.

Desde tempos ancestrais que se recorreu ao uso de delgadas folhas de cobre e latão na confecção de vasilhame diverso. Esta utilização foi o ponto de partida para o desenvolvimento da arte da latoaria e da caldeiraria.

Até à chamada “idade do plástico”, estas actividades conheceram uma evolução tecnológica e expansão idêntica à de outros ramos da produção artesanal. Contudo, e ainda antes do advento do plástico, a generalização da fundição industrial de alumínios e da moldagem de recipientes em aço, inox e outras chapas metálicas, seria o primeiro percalço a atingir estes artesãos. A partir de meados do século XX, caldeireiros e latoeiros viram diminuir de forma drástica as solicitações de trabalho em consequência da utilização do plástico nos mais diversos tipos de recipientes.

Apesar deste revês, alguns artesãos persistiram nas suas funções e viraram-se sobretudo para o turismo.

Em Loulé, durante muitos anos, esta tradição artesanal perdurou pelas mãos de Ilídio António Marques, o mestre Ilídio, infelizmente já falecido. Com oficina na Rua da Barbacã, que a sua esposa mantêm aberta como loja onde se podem encontrar e comprar algumas das peças criadas por mestre Ilídio, Ilídio Marques martelava o cobre com perícia e dava forma a peças com um fim prático ou meramente decorativo. Segundo o próprio Ilídio, a sua relação com o cobre começara cedo ajudando o pai no ofício. Assim se tornou caldeireiro e caldeireiro foi até que a morte inesperadamente o tolheu. Recebeu diversos prémios pela sua arte e até a visita de Manuel Maria Carilho enquanto Ministro da Cultura (como se pode ver na foto que retirei do blog ssebastião).

Com o falecimento de mestre Ilídio, a produção de caldeiraria e latoaria em Loulé existe apenas de forma residual. Com o tempo, estas actividades tendem a findar por completo, o que é de lamentar pois na arte de trabalhar o cobre os artificies louletanos distinguiam-se dos demais. Segundo Pedro de Freitas, na obra “Quadros de Loulé Antigo”, os artesãos louletanos “desenvolveram a sua manipulação sem soldadura nos remates e nos fechos das peças”, característica que conferia ás peças um aspecto peculiar e mais refinado.

 

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Na Cozinha Tradicional, situada na Alcaidaria do Castelo de Loulé, bem como na antiga oficina do mestre Ilídio, podem ser vistas algumas peças (como a chocolateira da foto) em cobre que são o exemplo desta “arte de antigamente”.

Visitem e apreciem.

 

Nota:

 

1. Este texto foi escrito com base em informação retirada da obra “Loulé: Memórias e Identidade”, Héstia Editores, 2003.

 

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